Foto: Marina Brignol (Diário)
Cerca de 50 servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizam, desde as 11h30min desta sexta-feira (20), um ato no arco de entrada e saída do campus.
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A mobilização, organizada pela Associação dos Servidores da Universidade Federal de Santa Maria (Assufsm) em conjunto com a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria (Sedufsm), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e Sindicato dos Servidores Federais (Sindiserf), bloqueia parcialmente a via de saída da universidade e causa fila de veículos no local. De acordo com os manifestantes, não há previsão de término do ato.
Com faixas e panfletos, os manifestantes abordam motoristas e pedestres para explicar as reivindicações do movimento, que integra uma greve nacional da categoria. O horário foi escolhido para ampliar o alcance da ação junto à comunidade acadêmica.
– Optamos por fazer esse ato nesse momento para dialogar com quem está saindo da universidade e explicar nossas pautas – afirma uma das coordenadoras do comando local de greve, Loiva Chansis.
Reivindicações incluem concursos e orçamento
Segundo os servidores, a principal pauta é o cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve nº 11/2024, firmado após a paralisação nacional do ano retrasado. Apesar de avanços salariais já implementados, outras cláusulas seguem pendentes.
– Não adianta ampliar cursos e institutos se não há técnicos e docentes. Estamos defendendo a manutenção da universidade pública com qualidade – destaca Loiva.

Entre os pontos citados pelos grevistas, estão a realização de concursos públicos, a não extinção de cargos e a oposição à terceirização de funções consideradas estratégicas, como a de tradutor e intérprete de Libras. Segundo os servidores, a substituição por contratos terceirizados compromete a continuidade e a qualidade dos serviços.
– A alta rotatividade de terceirizados prejudica políticas de educação e saúde. É preciso vínculo e investimento no serviço público – afirma.
Outra demanda central é a recomposição do orçamento das universidades federais. De acordo com os manifestantes, os recursos atuais são equivalentes aos de 2015, após sucessivos cortes nos últimos anos.
Greve iniciou em fevereiro e segue sem previsão de término
Na UFSM, a greve dos TAEs começou em 23 de fevereiro e faz parte de um movimento nacional organizado pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). Mais de 50 instituições federais já aderiram à paralisação em todo o país.
– Enquanto o governo não nos chamar para negociar o acordo que não foi cumprido, o movimento continua – afirma a representante.
A adesão, segundo os organizadores, cresceu nas últimas semanas, com assembleias consideradas “lotadas” e maior participação da categoria.
Ato também critica saúde e transporte público
Além das pautas relacionadas à educação, os manifestantes também protestam contra o valor da tarifa do transporte público em Santa Maria, atualmente em R$ 7,25, e a precarização da saúde pública.
– Estamos junto dos estudantes nessa luta contra o aumento da passagem, uma das mais caras do país – diz Ciro Oliveira, integrante da coordenação da Assufsm.

Contexto da paralisação
A greve foi aprovada em assembleia no dia 19 de fevereiro e reivindica, entre outros pontos, valorização da carreira, jornada de 30 horas semanais, aceleração na progressão de aposentados e realização de concursos públicos. Também há críticas à proposta de reforma administrativa em discussão no país, que, segundo os servidores, pode impactar negativamente o serviço público.
Mesmo com a paralisação, serviços essenciais seguem mantidos com efetivo mínimo, como nos hospitais universitários.